Os iPhones há muito têm a reputação de serem imunes a vírus e malware. Mas será que essa reputação é merecida ou é apenas um mito? Neste artigo, analisamos a probabilidade de um iPhone ser infectado, quais medidas de segurança você pode tomar e como se proteger de vírus e outros tipos de malware.

Os iPhones pegam vírus?

Talvez o seu iPhone esteja quente ao toque ou talvez a bateria esteja acabando rápido demais. A boa notícia é que é extremamente improvável que seja um vírus. A má notícia é que ainda é possível que o seu iPhone esteja afetado por malware.

Vírus vs. malware no iPhone

O malware (uma combinação das palavras “malicious” + “software”) é intencionalmente projetado e implantado para roubar, interromper ou destruir dados, ou para obter o controle de um dispositivo. Existem diferentes tipos de malware(nova janela), incluindo trojans, spyware, ransomware e, claro, vírus.

Um vírus tem esse nome por causa da maneira como se comporta. Assim que infecta seu hospedeiro, ele se replica pelos arquivos. O motivo de os iPhones serem considerados seguros contra vírus é que cada aplicativo de terceiros no iPhone é isolado não apenas de todos os outros aplicativos, mas também dos dados do sistema operacional. Isso torna praticamente impossível para um vírus se autorreplicar em um iPhone.

Como a Apple protege contra malware

A estratégia de defesa da Apple se baseia em uma arquitetura projetada para evitar que o malware (incluindo vírus autorreplicáveis) se instale no dispositivo. Em vez de depender de softwares antivírus de terceiros, o iOS (sistema operacional proprietário da Apple para o iPhone) integra a segurança por meio de três camadas principais:

  • Sandboxing estrito: cada aplicativo é executado em seu próprio ambiente isolado (uma “sandbox”), o que o impede de acessar dados de outros aplicativos ou arquivos essenciais do sistema, a menos que seja explicitamente permitido pelo usuário.
  • Análise da App Store: os aplicativos passam por análises manuais e automatizadas antes de serem publicados. Isso reduz significativamente o risco de códigos maliciosos entrarem no ecossistema, ao contrário do que ocorre em plataformas abertas (como o Android), onde o sideloading(nova janela) é muito mais comum.
  • Correções de segurança automatizadas: a Apple fornece atualizações frequentes e obrigatórias do iOS que reparam vulnerabilidades conhecidas imediatamente. Isso garante que as brechas exploradas sejam fechadas rapidamente em todos os dispositivos compatíveis.

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Talvez por estar tão confiante nas medidas de segurança que adotou, a Apple não tem recursos oficiais de suporte que usem o termo “vírus”. Em vez disso, ela se concentra em conceitos como “modificação não autorizada” e “notificações de ameaças”.

Embora isso reforce a ideia de que os iPhones são imunes a vírus, dificulta a tomada de medidas caso você suspeite que seu iPhone tenha sido comprometido. E, embora não existam evidências de que vírus tenham atacado iPhones com sucesso, houve ataques notáveis de malware.

Ataques no mundo real

Embora o iOS seja projetado para bloquear vírus autorreplicáveis, ele continua vulnerável a outras formas de malware sob condições específicas, como jailbreaking, ferramentas de desenvolvimento comprometidas ou explorações direcionadas de nível estatal.

AdThief (2014)

Tipo de malware: Adware/hijacker

Esse malware tinha como alvo usuários que haviam feito jailbreak em seus dispositivos. Uma vez instalado em cerca de 75.000 dispositivos, ele substituiu anúncios legítimos dentro de aplicativos por anúncios maliciosos próprios. O impacto foi financeiro: os cibercriminosos desviaram o fluxo de receita de anúncios, roubando a renda dos desenvolvedores.

Isso serve como um excelente exemplo de que, uma vez que a sandbox do SO é quebrada por meio de jailbreaking, até mesmo um simples roubo de receita se torna possível.

XcodeGhost (2015)

Tipo de malware: Trojan de cadeia de suprimentos

Este foi um incidente histórico no qual o método de ataque não foi um vírus de telefone, mas sim uma ferramenta de desenvolvimento comprometida. Os invasores criaram uma versão falsa do Xcode (o software de codificação oficial da Apple) que estava infectada com malware. Desenvolvedores chineses que baixaram essa ferramenta falsificada criaram, sem saber, versões comprometidas de aplicativos populares — incluindo WeChat e Angry Birds. Quando os usuários instalaram esses aplicativos a partir da App Store, o malware foi ativado.

Isso mostrou que até mesmo aplicativos avaliados pela Apple poderiam ser portadores se o próprio código-fonte fosse envenenado antes da revisão.

Pegasus (2016–presente) e Graphite (2025-presente)

Tipo de malware: Spyware de clique zero

Ao contrário dos exemplos anteriores, o Pegasus e o Graphite (que é semelhante)(nova janela) não exigem interação do usuário. Desenvolvidos pelas empresas israelenses NSO Group e Paragon Solutions, respectivamente, eles exploram vulnerabilidades de dia zero(nova janela) no iOS para obter acesso root. Uma vez dentro, eles podem extrair mensagens, fotos, dados de localização e transmissões de microfone.

Essas são as ameaças mais graves até o momento, demonstrando que agentes sofisticados podem burlar a segurança do iOS inteiramente por meio de falhas não descobertas. Os alvos geralmente são pessoas de alto perfil, como jornalistas e políticos, e não o público em geral.

LightSpy (2020–presente)

Tipo de malware: Spyware multiplataforma/exploração baseada na web

Tendo como alvo tanto o macOS quanto o iOS, o LightSpy usa sites maliciosos para implantar sua carga útil. Quando os usuários visitam uma página comprometida — muitas vezes por meio de links de phishing ou anúncios enganosos —, o site tenta instalar um software de vigilância que pode coletar contatos, mensagens e arquivos sem qualquer interação adicional.

Você não precisa baixar nada nem tocar em nada suspeito — basta visitar a página errada da web para que isso aconteça. Como o Safari é o navegador padrão no iPhone e abre links da web automaticamente, ele é o ponto de entrada mais provável para esse tipo de ataque se o dispositivo não estiver executando o software mais recente.

Sinais de vírus ou malware no seu iPhone

Não há uma maneira definitiva de verificar a presença de vírus no iPhone, mas existem sinais aos quais você pode ficar atento.

1. Atividade incomum na conta

    • Mensagens enviadas do seu dispositivo que você não enviou
    • Dispositivos de confiança desconhecidos vinculados ao seu ID Apple
    • Alterações inesperadas de senha ou compras
    1. Notificações de ameaça
      • Se a Apple identificar uma ameaça, você receberá alertas no seu e-mail, número de telefone e dentro da sua Conta Apple
    Aviso de notificação de ameaça (cortesia do site de suporte da Apple)

    3. Anomalias técnicas

    • Esgotamento da bateria ou superaquecimento sem causa aparente
    • Aplicativos travando inesperadamente ou aparecimento de aplicativos desconhecidos
    • Configurações sendo alteradas sem a sua intervenção

    4. Pop-ups ou tentativas de phishing

    Mensagens insistindo para você instalar perfis, clicar em links suspeitos ou fornecer credenciais — geralmente são golpes, mas podem indicar tentativas de comprometimento

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      Como se livrar de um vírus no iPhone

      Como a Apple não usa o termo “vírus” em seus documentos oficiais de suporte, você não encontrará instruções específicas de remoção de vírus no site dela. No entanto, se estiver enfrentando os sintomas acima, você pode tomar medidas práticas para solucionar o que possa estar agindo como um vírus — como adware, sequestradores de navegador ou malware de perfil de configuração.

      Como nenhum aplicativo antivírus para iPhone consegue escanear todo o seu sistema, você precisará fazer um diagnóstico manual usando ferramentas integradas:

      1. Executar a Verificação de Segurança (iOS 16 ou posterior)

      Se você suspeitar que um aplicativo tem acesso excessivo aos seus dados, use o recurso Verificação de Segurança da Apple para revisar e redefinir as permissões.

      • Acesse Configurações Privacidade e Segurança Verificação de Segurança.
      • Toque em Gerenciar Compartilhamento e Acesso e siga as instruções para redefinir o compartilhamento com pessoas e aplicativos.

      Isso garante que qualquer aplicativo potencialmente comprometido perca imediatamente o acesso aos seus contatos, localização e fotos.

      2. Limpar os dados do Safari
      Muitas vezes, o que parece ser um vírus é na verdade um adware agressivo ou scripts maliciosos presos no cache do seu navegador, que podem causar pop-ups.

      • Acesse Configurações Aplicativos Safari.
      • Role para baixo e toque em Limpar Histórico e Dados do Site.

      Isso remove cookies e scripts em cache que possam estar ativando anúncios indesejados ou redirecionamentos.

      3. Revisar perfis de configuração
      Às vezes, um malware instala um “perfil” oculto para forçar alterações nas configurações ou redirecionar o seu tráfego de internet.

      • Acesse Configurações Geral VPN e Gerenciamento de Dispositivo.
      • Se você vir a opção Gerenciamento de Dispositivo listada, toque nela para visualizar os perfis instalados.
      • Se não vir nenhum perfil, você não tem nenhum instalado. Se vir algo desconhecido ou suspeito, toque no perfil, selecione Excluir Perfil, insira seu código de acesso e reinicie seu dispositivo.

      4. Fazer uma redefinição de fábrica
      Se o problema persistir após tentar as etapas acima, a solução mais definitiva é limpar completamente o dispositivo.

      • Aviso: Antes de fazer isso, certifique-se de ter um backup recente e limpo dos seus dados via iCloud ou computador.
      • Acesse Configurações Geral Transferir ou Redefinir o iPhone Apagar Todo o Conteúdo e Configurações.

      Isso limpa completamente o celular, removendo qualquer malware. Você poderá então configurá-lo como novo ou restaurá-lo a partir de um backup criado antes do início dos sintomas.

      Observação: Se você acredita que seu dispositivo foi alvo de um spyware sofisticado (como Pegasus ou Graphite), uma redefinição de fábrica pode não ser suficiente. Nesses casos raros, entre em contato diretamente com o Suporte da Apple para obter assistência avançada.

      Tudo bem fazer jailbreak no meu iPhone?

      Recomendamos fortemente que você não faça jailbreak no seu iPhone. Embora remover as restrições de software da Apple conceda acesso a aplicativos não oficiais e opções de personalização, isso também desmantela a arquitetura de segurança que protege seu dispositivo contra malware. Para a maioria das pessoas, não há motivo prático para aceitar essa troca arriscada.

      Ao fazer jailbreak em um iPhone, você ignora três camadas críticas de proteção:

      • Você quebra o sandbox: O jailbreak remove o isolamento entre aplicativos. Assim que o sandbox é quebrado, um aplicativo malicioso pode acessar dados, contatos e arquivos de sistema pertencentes a outros aplicativos. É assim que os vírus tradicionais operam em outros dispositivos.
      • Você perde a verificação da App Store: Aplicativos instalados por meio de lojas de terceiros ou sideloading não passaram pela análise de segurança da Apple. Isso aumenta o risco de você instalar adware, cavalos de Troia ou spyware.
      • Você bloqueia atualizações de segurança: Dispositivos com jailbreak não conseguem instalar facilmente as correções de segurança mais recentes do iOS. Sem essas atualizações, vulnerabilidades conhecidas permanecem abertas, deixando seu celular exposto a novos exploits.

      Manter seu iPhone sem modificações é a defesa mais eficaz contra malwares. A conveniência de temas personalizados ou ajustes não autorizados não vale a pena se transformar seu iPhone seguro em um alvo fácil para hackers.

      Dicas de segurança: o que observar

      Embora os iPhones sejam naturalmente resistentes a vírus, seus maiores riscos vêm da engenharia social e de comportamentos de risco. Violações de segurança têm mais chances de ocorrer quando você é induzido a conceder acesso ou instalar softwares maliciosos. Veja com o que tomar cuidado:

      • Phishing e smishing: Desconfie totalmente de e-mails não solicitados, mensagens de texto (smishing) ou iMessages alegando atraso em entregas, contas comprometidas ou prêmios que você tenha ganhado. Essas mensagens frequentemente contêm links para páginas falsas de início de sessão projetadas para roubar suas credenciais. Sempre marque mensagens suspeitas como lixo eletrônico e exclua-as imediatamente.
      • Falsos “scanners de vírus”: Se vir um aplicativo na App Store que alegue escanear vírus no iPhone, não o baixe. Como mencionamos anteriormente, a arquitetura do iOS torna impossível a varredura de vírus em todo o sistema. Aplicativos que fazem essa alegação costumam ser golpes projetados para coletar seus dados ou vender assinaturas inúteis.
      • Sites maliciosos: Evite clicar em links em mensagens suspeitas, mesmo que pareçam vir de empresas legítimas. Antes de instalar um aplicativo, certifique-se de verificar você mesmo a credibilidade dele. Procure por altos números de downloads (milhões geralmente indicam um aplicativo confiável), leia avaliações recentes em busca de alertas e verifique as permissões solicitadas. Um aplicativo não deveria precisar de acesso ao seu microfone ou contatos apenas para mostrar uma lanterna.

      A melhor maneira de se proteger contra phishing e roubo de dados é usar ferramentas que gerenciam a sua segurança para você. Recomendamos usar um dedicado gerenciador de senhas como o Proton Pass para gerar e armazenar senhas complexas e exclusivas para cada site, de modo que se um deles for violado, os outros permaneçam seguros. O recurso de filtragem de DNS do NetShield Ad-blocker(nova janela) do Proton VPN também impedirá que malwares e rastreadores se conectem a domínios maliciosos.