Um computador pode conter mais informações privadas do que quase qualquer outro dispositivo que você possui. Documentos fiscais, fotos de família, arquivos de trabalho, senhas, mensagens privadas e anos de dados pessoais podem estar todos atrás do mesmo início de sessão.

Para a maioria das pessoas, esse computador roda Windows ou macOS. Ambos os sistemas operacionais coletam informações sobre como funcionam, e ambos se conectam a grandes ecossistemas de nuvem. A diferença está em quantos dados eles coletam, para onde esses dados podem ir e quanto controle você tem sobre eles.

Então, se a privacidade é a prioridade, qual é o melhor sistema operacional?

O Windows coleta mais informações por padrão

O Windows envia à Microsoft dados de diagnóstico sobre o computador, incluindo informações sobre o hardware, as configurações e se ele está funcionando corretamente. A Microsoft também oferece dados de diagnóstico opcionais, que podem incluir informações sobre a atividade de aplicativos, dispositivos conectados e, em algumas circunstâncias, a atividade de navegação. O Windows também atribui aos usuários um ID de publicidade exclusivo que os aplicativos da Microsoft podem usar para publicidade personalizada.

Depois, há o Recall. Disponível em PCs Copilot+, o recurso pode criar instantâneos pesquisáveis da atividade no computador. Embora ativado por padrão no lançamento, o Recall agora é um recurso de ativação voluntária, e a Microsoft afirma que os instantâneos são criptografados e armazenados localmente.

A preocupação com a privacidade continua fácil de entender. Se o Recall estiver ativado, o computador pode reter um registro pesquisável do que apareceu na tela. O Signal(nova janela) se preocupou o suficiente com isso e, em 2025, adicionou controles de segurança de tela do Windows para ajudar a impedir que o Recall capture conversas do Signal.

Os controles atuais da Microsoft dão aos usuários mais escolha do que a versão original do Recall, mas o recurso ainda ilustra um problema mais amplo: o Windows pode coletar informações sobre como você usa o computador, e parte dessa coleta está integrada ao sistema operacional.

Os Macs coletam dados pelo ecossistema da Apple

A Apple também coleta informações de diagnóstico e de uso. Em um Mac, você pode desativar o compartilhamento de análises do Mac e controlar várias outras configurações de privacidade.

A questão mais importante é o que acontece quando o Mac é conectado à Conta Apple. Um único computador pode estar vinculado ao iCloud, Fotos, Mensagens, Safari, Mapas, Siri, Apple Pay, um iPhone e anos de informações pessoais.

A Apple também já teve problemas de privacidade. Em 2019, um denunciante revelou que prestadores de serviço contratados estavam revisando uma amostra de gravações da Siri para ajudar a avaliar o assistente. Algumas gravações teriam sido captadas quando a Siri foi ativada acidentalmente, e o material poderia conter conversas altamente sensíveis. A Apple confirmou o programa com os prestadores de serviço, suspendeu-o após a denúncia e pediu desculpas.

Esse histórico não torna o macOS inerentemente privado. Ele mostra, porém, por que a privacidade de um computador não pode ser avaliada apenas pelo sistema operacional. Os serviços conectados a ele são igualmente importantes.

A conta na nuvem pode alterar a equação da privacidade

O ecossistema da Microsoft inclui Windows, Edge, Bing, Outlook, OneDrive, Microsoft 365, Xbox e Copilot. Quando esses serviços são usados juntos, mais da vida digital pode acabar associada à mesma empresa.

Um documento armazenado no OneDrive fica nos servidores da Microsoft. O Outlook dá à Microsoft acesso ao e-mail. Um navegador Edge com sessão iniciada pode sincronizar informações de navegação, e o Copilot acrescenta mais um serviço de nuvem ao conjunto.

A Apple funciona de maneira bem semelhante. O iCloud pode conectar o Mac a fotos, mensagens, backups, documentos, informações de navegação e outros serviços. A Apple também opera um negócio de publicidade, embora afirme que a plataforma de publicidade não rastreia usuários em aplicativos e sites de outras empresas e não compartilha informações pessoais identificáveis com terceiros para fins de marketing de terceiros.

O acesso governamental é outra consideração. A Microsoft informou(nova janela) 27.412 solicitações de aplicação da lei por dados de consumidores em todo o mundo no segundo semestre de 2025. Cerca de 61% resultaram em divulgações que não envolveram conteúdo e cerca de 5% em divulgações de conteúdo.

A Apple recebeu 15.780 solicitações de contas dos EUA no segundo semestre de 2024 e forneceu dados em 82% dessas solicitações, segundo o relatório de transparência(nova janela) da Apple.

Esses números não significam que a Microsoft ou a Apple dê aos governos acesso irrestrito aos dados dos clientes. As duas empresas afirmam que exigem um processo legal válido. Dito isso, depois que as informações são armazenadas na nuvem de uma empresa, ela pode receber demandas legalmente válidas por elas.

É possível ver e excluir os dados?

Os dois sistemas operacionais oferecem algumas ferramentas para ver quais informações estão associadas a você.

O Windows tem um Painel de controle de privacidade(nova janela) e um Visualizador de Dados de Diagnóstico. É possível excluir dados de diagnóstico associados a um dispositivo e desativar a coleta opcional de diagnósticos. Já os dados de diagnóstico obrigatórios não podem ser totalmente desativados em uma instalação comum para consumidores.

A Apple oferece um portal de dados e privacidade(nova janela) em que é possível solicitar uma cópia das informações associadas à Conta Apple. Também é possível excluir a conta e os dados associados a ela, embora isso seja uma decisão de grande impacto se você tiver passado anos no ecossistema da Apple.

Há também informações que ficam no próprio computador. Tanto o Windows quanto o macOS oferecem suporte à criptografia de disco completo. O Windows usa BitLocker ou Criptografia de Dispositivo, enquanto os Macs usam FileVault.

A diferença está no que acontece com a chave de recuperação. Quando a Criptografia de Dispositivo do Windows é ativada com uma conta da Microsoft, a chave de recuperação pode ter backup feito nessa conta. Isso facilita a recuperação se você ficar bloqueado, mas também significa que a chave pode existir na nuvem da Microsoft.

Qual computador dá menos trabalho para ficar privado?

Deixar um PC com Windows mais privado exige verificar uma longa lista de configurações. Comece pelo ID de publicidade, pelos diagnósticos opcionais, pelas ofertas personalizadas e pelas permissões de localização, câmera, microfone, reconhecimento de fala, digitação, pesquisa e aplicativos em segundo plano.

Depois, analise o OneDrive e o Edge, revise quais aplicativos podem acessar informações da conta, verifique o Painel de controle de privacidade da Microsoft e o Visualizador de Dados de Diagnóstico, e confira as configurações de criptografia e o local da chave de recuperação. Se você tiver um PC Copilot+, verifique o Recall e exclua quaisquer instantâneos existentes, caso não os queira.

Usuários de Mac têm uma lista de verificação própria. Desative as análises do Mac e o compartilhamento com desenvolvedores de aplicativos, revise as configurações do Siri e do Ditado, os anúncios personalizados, as permissões de localização, câmera, microfone, Gravação de Tela, Acesso Total ao Disco e Acessibilidade. Verifique os aplicativos em segundo plano, a sincronização do iCloud, o Safari, os dispositivos Apple conectados e o FileVault. Também é possível solicitar os dados da Apple para ver o que a empresa associou à conta.

Nenhuma das duas listas é especialmente difícil. A diferença está em quanto é preciso pensar antes de o sistema chegar a uma configuração razoavelmente privada.

E o Linux?

Se a privacidade for a prioridade absoluta, nem o Windows nem o macOS encerram a conversa. O Linux oferece um ponto de partida diferente, porque não vem com o ecossistema da Microsoft ou da Apple.

Isso não torna o Linux infalível. Em 2024, uma backdoor foi descoberta em um software Linux amplamente utilizado antes que pudesse se tornar um problema de segurança muito maior. Privacidade e segurança estão relacionadas, mas não são a mesma coisa.

Então, qual é melhor para a privacidade?

Nem o Windows nem o macOS são sistemas operacionais que colocam a privacidade em primeiro lugar. As duas empresas coletam informações, operam grandes ecossistemas de nuvem e podem receber pedidos do governo por dados de clientes.

O Windows tem algumas desvantagens adicionais. Ele inclui um ID de publicidade, exige dados de diagnóstico que os usuários não podem desativar totalmente e está vinculado a um grande negócio de publicidade e nuvem. O Recall também dá ao Windows a capacidade de preservar um registro de atividade muito mais detalhado quando ativado.

A Apple está longe de ser perfeita. O ecossistema da Apple pode conter anos de informações pessoais, problemas com gravações da Siri, e a empresa responde a solicitações governamentais válidas por dados de clientes.

Mas, quando os dois são comparados quanto à quantidade de informações que coletam, para onde essas informações vão, quanto controle os usuários têm sobre elas e quanto trabalho é necessário para reforçar as configurações, o macOS sai na frente.

Se a privacidade for o fator decisivo entre um PC com Windows e um Mac, o Mac é a melhor escolha.