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Encriptação assimétrica vs. simétrica

Cada ligação encriptada que efetua — como navegar num sítio web, enviar um e-mail ou utilizar uma VPN — baseia-se em encriptação assimétrica, encriptação simétrica ou em ambas. Compreender a diferença explica por que razão a encriptação moderna utiliza ambas.

O que é a encriptação simétrica?

A encriptação simétrica utiliza uma única chave para bloquear (encriptar) e desbloquear (desencriptar) dados. A mesma chave secreta deve estar na posse tanto do remetente como do destinatário — qualquer pessoa que tenha acesso à mesma poderá ler tudo o que ela protege.

Pense num cofre físico com uma combinação. Quem conhecer a combinação pode abri-lo. É rápida e simples, mas tem de partilhar essa combinação de forma segura antes de a poderem utilizar em conjunto.

Como a encriptação simétrica é computacionalmente rápida, é excelente para proteger grandes volumes de dados — encriptando os ficheiros na sua unidade de disco rígido, o tráfego através de um túnel VPN(nova janela) ou o conteúdo de uma base de dados. Os algoritmos simétricos comuns incluem o AES e o ChaCha20.

A fraqueza fundamental: como se partilha a chave, em primeiro lugar? Se a enviar através de um canal inseguro, um atacante que a intersete poderá desencriptar tudo. Este é o problema de distribuição de chaves, e é o que a encriptação assimétrica resolve.

O que é a encriptação assimétrica?

A encriptação assimétrica utiliza duas chaves ligadas matematicamente: uma chave pública e uma chave privada. O que uma chave encripta, apenas a outra pode desencriptar. Partilha a chave pública abertamente com qualquer pessoa; a chave privada nunca sai do seu dispositivo.

Pense numa ranhura para correio na sua porta de entrada. Qualquer pessoa pode introduzir uma carta através dela (encriptar com a sua chave pública), mas apenas o utilizador tem a chave para abrir a caixa e ler o que está lá dentro (desencriptar com a sua chave privada). Não é necessária qualquer troca de segredo prévia.

Isto resolve inteiramente o problema de distribuição de chaves. Dois desconhecidos que nunca comunicaram antes podem estabelecer um canal seguro — um publica a sua chave pública, o outro encripta uma mensagem com ela e apenas o detentor da chave pode ler a resposta. Esta é a base da encriptação ponto a ponto, do HTTPS e das assinaturas digitais.

A contrapartida: a encriptação assimétrica é cerca de 1 000 vezes mais lenta do que a encriptação simétrica devido à complexidade matemática envolvida. Encriptar um ficheiro grande ou um fluxo contínuo de dados apenas com criptografia assimétrica seria impraticável.

Os algoritmos assimétricos comuns incluem:

Encriptação assimétrica vs. simétrica: principais diferenças

Simétrica

Uma chave partilhada

Rápida, eficiente, ideal para dados em massa. Exige que ambas as partes já partilhem uma chave secreta de forma segura.

Assimétrica

Par de chaves pública e privada

Mais lenta, mas resolve o problema da troca de chaves. Qualquer pessoa pode encriptar; apenas o proprietário da chave pode desencriptar.

Encriptação assimétrica vs. simétrica

Simétrica

Assimétrica

Chaves

Uma chave partilhada

Par de chaves pública e privada

Velocidade

Muito rápida

~1 000x mais lenta

Comprimento da chave

128–256 bits

≥2048 bits (RSA), ≥256 bits (ECC)

Distribuição de chaves

Tem de ser partilhada de forma segura com antecedência

A chave pública pode ser partilhada abertamente

Ideal para

Encriptar grandes volumes de dados, como ficheiros, discos e tráfego de VPN

Troca de chaves segura, assinaturas digitais, troca de mensagens

Exemplos

AES, ChaCha20

RSA, ECDH, Ed25519, ML-KEM (pós-quântico)

Por que razão a encriptação moderna utiliza ambas

Na prática, a encriptação simétrica e a assimétrica quase nunca são utilizadas de forma isolada. Os sistemas mais seguros combinam-nas: encriptação assimétrica para trocar uma chave de forma segura e, em seguida, encriptação simétrica para proteger os dados reais. Isto proporciona-lhe a segurança da criptografia assimétrica e a velocidade da criptografia simétrica.

Criptografia híbrida

A utilização conjunta de encriptação assimétrica e simétrica designa-se por criptografia híbrida. É a base do HTTPS, TLS, VPNs, e-mail encriptado OpenPGP e da maioria dos outros protocolos de comunicação seguros.

O que acontece quando visita um sítio web seguro

  • O seu navegador e o servidor utilizam encriptação assimétrica (através de ECDH) para acordar uma chave de sessão partilhada sem a transmitir — mesmo que alguém intersete a troca, não conseguirá obter a chave.

  • Essa chave de sessão partilhada é utilizada com encriptação simétrica (AES ou ChaCha20) para encriptar todos os dados durante o resto da sessão — de forma suficientemente rápida para processar tráfego contínuo.

  • A chave de sessão é descartada quando a ligação é fechada. Isto é importante porque, de outro modo, uma chave privada roubada tornar-se-ia uma "chave-mestra" — capaz de desencriptar todas as sessões passadas e futuras. Gerar uma chave nova por sessão significa que qualquer comprometimento se limita apenas a essa sessão. Esta propriedade designa-se por perfect forward secrecy.

O que acontece quando envia um e-mail encriptado de ponto a ponto

  • A mensagem é encriptada com uma chave de sessão simétrica gerada aleatoriamente (AES) — de forma suficientemente rápida para qualquer tamanho de mensagem.

  • Essa chave de sessão é então encriptada utilizando a chave pública do destinatário (encriptação assimétrica), para que apenas este a possa desbloquear com a sua chave privada.

  • Ambas são enviadas em conjunto. O destinatário desencripta a chave de sessão com a sua chave privada e, em seguida, utiliza-a para desencriptar a mensagem — tudo isto sem partilhar qualquer segredo com antecedência.

Autenticidade e assinaturas digitais

A encriptação oculta o conteúdo de uma mensagem, mas não prova quem a enviou. Para isso, necessita de autenticação: uma forma de verificar se uma mensagem veio genuinamente do remetente declarado e não foi adulterada em trânsito.

A encriptação assimétrica torna isto possível através de assinaturas digitais. Em vez de encriptar com uma chave pública, o remetente assina os dados com a sua chave privada. Qualquer pessoa que possua a chave pública correspondente pode verificar a assinatura, confirmando tanto a identidade do remetente como o facto de o conteúdo não ter sido alterado.

Para os próprios dados, a maioria dos protocolos modernos utiliza encriptação autenticada — cifras que encriptam e verificam a integridade em simultâneo numa única operação. Exemplos comuns são o AES-GCM e o ChaCha20-Poly1305, sendo ambos utilizados nos serviços da Proton. Se mesmo um único bit do texto cifrado for alterado em trânsito, a desencriptação falha e os dados adulterados são rejeitados.

Computadores quânticos e encriptação

A encriptação simétrica e a assimétrica enfrentam ameaças muito diferentes por parte dos computadores quânticos — e compreender a diferença é importante para perceber como o setor se está a preparar.

A encriptação assimétrica tradicional baseia-se em problemas matemáticos complexos: fatorização de números grandes (RSA) ou resolução de problemas de logaritmos discretos (ECDH). Os computadores quânticos, utilizando o algoritmo de Shor, são especificamente bons nesta classe de problemas, quebrando eficazmente a criptografia assimétrica tradicional à escala.

A encriptação simétrica é muito mais resiliente. Esta baseia-se na força bruta (tentar todas as chaves possíveis), que os computadores quânticos conseguem acelerar, mas não o suficiente para tornar obsoletas as chaves de dimensões adequadas. Uma chave simétrica de 256 bits continua a ser segura contra os ataques quânticos conhecidos; não é necessário qualquer aumento prático do tamanho da chave.

É por isso que os algoritmos pós-quânticos como o ML-KEM foram concebidos como substitutos assimétricos — integrando-se onde o RSA e o ECDH são atualmente utilizados, enquanto a encriptação simétrica permanece praticamente inalterada.

Como a Proton utiliza encriptação assimétrica e simétrica

Todos os serviços da Proton utilizam criptografia híbrida: encriptação assimétrica para estabelecer uma troca de chaves segura e encriptação simétrica para proteger os seus dados de forma rápida.

O Proton Mail utiliza o padrão OpenPGP, que combina a encriptação simétrica para o conteúdo das mensagens com chaves assimétricas, tais como as chaves ECC ou RSA, para encriptação, troca de chaves e assinaturas digitais. Também suporta encriptação pós-quântica.

O Proton VPN encripta o tráfego com ChaCha20 ou AES-256, utilizando protocolos VPN modernos, tais como o WireGuard e o OpenVPN. Estes protocolos utilizam a troca de chaves assimétricas para estabelecer chaves de sessão simétricas novas, ajudando a proporcionar perfect forward secrecy.

O Proton Drive encripta ficheiros do lado do cliente utilizando o padrão OpenPGP. Utiliza chaves públicas/privadas assimétricas para que apenas a sua chave privada possa desencriptar os seus ficheiros, o que significa que mais ninguém além de si — nem mesmo a Proton — pode aceder aos mesmos.

O Proton Pass armazena credenciais e outros itens do cofre utilizando encriptação simétrica AES-256-GCM. Utiliza chaves de cofre e de item de 32 bytes geradas aleatoriamente, as quais são protegidas com chaves de utilizador assimétricas.

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A encriptação moderna funciona porque a criptografia simétrica e a assimétrica trabalham em conjunto — e a Proton utiliza ambas para proteger a sua privacidade em todas as aplicações.

Com encriptação ponto a ponto, arquitetura de acesso zero, proteção pós-quântica, aplicações open-source e auditorias independentes, as suas informações continuam a ser suas.

Perguntas mais frequentes

Qual é a principal diferença entre a encriptação simétrica e a assimétrica?
Qual é a mais rápida: a encriptação assimétrica ou a simétrica?
Por que razão necessitamos tanto de encriptação simétrica como assimétrica?
A encriptação simétrica é menos segura do que a assimétrica?
A encriptação assimétrica pode substituir a encriptação simétrica?
Os algoritmos simétricos ou assimétricos são mais vulneráveis a computadores quânticos?

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